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Quando o Ouro Fala: O Silêncio dos Escravos Grita

 Sob o céu enegrecido de uma cidade que parecia nunca dormir, erguia-se uma torre de mármore negro, tão imponente que seus pináculos rasgavam as nuvens, como se quisessem alcançar o próprio coração das estrelas. Lá dentro, os Senhores do Ouro reuniam-se em um salão tão vasto que o eco de suas vozes parecia durar uma eternidade. No centro, um brasão dourado cintilava sob a luz de lustres adornados com cristais, cada um lapidado com o suor e a dor de mãos que nunca pisariam aquele lugar. As ruas lá embaixo eram estreitas e opressivas, um labirinto onde o povo rastejava como sombras vivas, buscando migalhas lançadas das alturas. Olhos fundos e rostos pálidos espiavam pelas frestas das janelas trêmulas, observando a torre como quem observa um predador – com temor, mas também com uma estranha reverência. Diziam que as riquezas dos Senhores do Ouro provinham de pactos antigos, selados com sangue e ganância. No entanto, o verdadeiro pacto não era com forças sobrenaturais, mas com a própri...

Plutocracia

  Um jovem de dezoito anos caminha devagar pelas ruas já tomadas pelo crepúsculo, o céu pintado de laranja e roxo dava sinais de que o sol se escondia no horizonte. Sentia o fardo em seus ombros, não sabia qual o responsável, sua mochila ou suas ações. Ao chegar em casa, sente suas pernas pesarem por patas fofas, isso o devia acalmar, deveria ser acolhedor, mas o vazio ainda tomava conta. Ele larga no chão a mochila volumosa com seus portfólios, currículos e expectativas... O cachorro a cheira, possivelmente seria alvo de alívio biológico ou brincadeiras desastrosas, mas... Isso realmente importa? No momento não. Sua respiração é profunda, ao mesmo tempo que quase suspirada, enquanto se arrasta até o sofá. O silêncio da casa é interrompido pelo latido estridente do cachorro. Afagou sua cabeça, mas não tinha energia para brincar com ele como costumava fazer. Se afundava mais nas almofadas e, o aconchego que antes sentia, hoje parecia solidão. Pensava nas entrevistas que tivera, nas ...

Letargia

Entre em casa tarde da noite, vá para o banheiro, tome banho, ponha pijama, vá para o quarto, deite na cama, feche os olhos, espere o sono vir, sinta os raios do sol no rosto, abra os olhos, boceje, levante da cama, arrume a cama, abra a janela, vá para o banheiro, escove os dentes, se olhe no espelho, faça careta, vá para a cozinha, afaste as cortinas, abra a janela, abra o armário, pegue o cereal, coloque na mesa, abra a geladeira, pegue o leite, vá até a bancada, pegue a tigela, coloque na mesa, disponha o cereal na tigela, acrescente o leite, apanhe uma colher na gaveta, segure a tigela, ande até o quarto, sente na janela, e coma pensando em como você deveria ter feito melhor seu trabalho e como deveria ter sido uma pessoa melhor para seus amigos e como não deveria ter feito certas decisões porque certamente afetará seu futuro e o futuro da sua família e o futuro dos seus amigos e o futuro das pessoas ao seu redor, se encha de desanimação, canse de olhar a parede do prédio vizinho,...

Inferno

  Nós éramos tão novos quando fizemos todas aquelas juras de amor. Éramos apenas duas faíscas soltas no mundo, brincando e se arriscando a beira d'água. Corríamos felizes por sermos livres, não sabíamos o que a tal liberdade poderia causar. A faísca, um dia, se tornou uma brasa. Uma brasa que estava longe de ser branda, uma brasa que queimava as cortinas da casa, que incinerava tapetes, que transformava as madeiras da cama em cinzas. Era essa a liberdade da brasa, queimar tudo o quanto podia tocar. "Me deixarias queimando só?" foi o que ouvi antes de sorrir e segurar sua mão. A brasa se transformava em uma chama intensa, a casa já pegava fogo, não existia mais teto e as paredes se extinguiam rapidamente. "Morrerias de amor?" foi a resposta. E assistindo o inferno que criaram, pularam. O rio ainda estava lá, sendo a única coisa que restava daquele mundo em chamas. De mãos dadas, nos olhamos, sorrimos, e inflamamos. Ardendo em um amor perigoso, presos a uma morte ...

Amor no Fim do Túnel

Assim como as flores crescem Quebrando a terra com suas raízes Meu amor floresce Mesmo em momentos infelizes Mas não se apavore, meu amor Estarei lá para dar-te boas-vindas Não tenha temor É apenas o pós vida E assim que adentro os portões A cortejo com adoração Não penso em divagações Dou-te, ainda pulsando, meu coração -  🕯