Inferno
Nós éramos tão novos quando fizemos todas aquelas juras de amor. Éramos apenas duas faíscas soltas no mundo, brincando e se arriscando a beira d'água.
Corríamos felizes por sermos livres, não sabíamos o que a tal liberdade poderia causar.
A faísca, um dia, se tornou uma brasa. Uma brasa que estava longe de ser branda, uma brasa que queimava as cortinas da casa, que incinerava tapetes, que transformava as madeiras da cama em cinzas. Era essa a liberdade da brasa, queimar tudo o quanto podia tocar.
"Me deixarias queimando só?" foi o que ouvi antes de sorrir e segurar sua mão.
A brasa se transformava em uma chama intensa, a casa já pegava fogo, não existia mais teto e as paredes se extinguiam rapidamente.
"Morrerias de amor?" foi a resposta.
E assistindo o inferno que criaram, pularam.
O rio ainda estava lá, sendo a única coisa que restava daquele mundo em chamas.
De mãos dadas, nos olhamos, sorrimos, e inflamamos. Ardendo em um amor perigoso, presos a uma morte preeminentemente prazerosa.
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