Plutocracia

 Um jovem de dezoito anos caminha devagar pelas ruas já tomadas pelo crepúsculo, o céu pintado de laranja e roxo dava sinais de que o sol se escondia no horizonte. Sentia o fardo em seus ombros, não sabia qual o responsável, sua mochila ou suas ações. Ao chegar em casa, sente suas pernas pesarem por patas fofas, isso o devia acalmar, deveria ser acolhedor, mas o vazio ainda tomava conta. Ele larga no chão a mochila volumosa com seus portfólios, currículos e expectativas... O cachorro a cheira, possivelmente seria alvo de alívio biológico ou brincadeiras desastrosas, mas... Isso realmente importa? No momento não. Sua respiração é profunda, ao mesmo tempo que quase suspirada, enquanto se arrasta até o sofá. O silêncio da casa é interrompido pelo latido estridente do cachorro. Afagou sua cabeça, mas não tinha energia para brincar com ele como costumava fazer. Se afundava mais nas almofadas e, o aconchego que antes sentia, hoje parecia solidão. Pensava nas entrevistas que tivera, nas portas fechadas e na esperança estilhaçada em seu peito. E fica ali, imóvel, olhando para o teto enquanto a noite caía lá fora, no pensamento um turbilhão de dúvidas sobre o futuro. O cansaço físico era apenas uma pequena parte do todo, seu maior cansaço vinha do psicológico. Todos os seus esforços foram em vão. Sem forças para levantar, ele fecha os olhos, e tenta encontrar um conforto nos pelos macios e afáveis do pequeno cachorro - que agora se encontra em seu colo. Antes de adormecer, uma única pergunta ecoa em sua mente: "Como o amanhã pode ser diferente?"


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