Vício

A última vez que te toquei não foi a muito tempo, mas já sinto sua falta em meus lábios, estimulando minhas mãos, sensibilizando minha mente e preenchendo meus pulmões.

Você, que me vem tão simples e apagada, em minhas mão se torna deleito e calor. Vem em tão mísera caixinha que há quem duvide de seu sincero torpor. 

Nos dias quentes me proporciona euforia, nos frios, queimor.

As roupas singelas, habitualmente brancas, escondem a complexidade de seu âmago, onde as chamas do tártaro ardem em deleito.

Ordinariamente te usam para passar o tempo.

Há quem quase não te vê, existem aqueles que querem te debelar, mas há outros que não vivem sem você.

És torpor e agonia numa simples melodia, corrente de frescor em meus pulmões, clara serotonina.


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