Quando a Velhice Chega a Nós I

Cruzo meus dedos frente a face e tento organizar meus pensamentos. Não consigo.

Recorro a música que teus lábios me proporcionam e a persigo.

Consigo sentir a emoção que vem de tua melodia,

Que adentrando meus ouvidos, eclodia.


E com essa canção, vou escrevendo à mão

O que sinto de teu timbre com tamanha devoção.

Tu me observas tímida e sorrindo,

Para então se voltar séria com tal sonido.


Não sabia de onde havia vindo

Tal barulho, que indubitavelmente, não era bem-vindo.

A taça, que antes cintilante, não está mais em sua mão.

Olhando ao redor, a vejo ao cacos, no chão.


O som que ouvi outrora certamente não vinha de ti.

O sorriso que antes possuía meus lábios, diminuí.

Oh, Deus! Por que paraste o canto dos anjos de forma tão abrupta?

A canção que outrora era ininterrupta!


E de repente te vejo apoiando em meus braços.

Terror, medo e dor é o que vejo em teus traços.

Oh, Deus! Por que apagaste o rouxinol mais belo de meu jardim?

Por qual razão permitiste seu fim?


"Não tente falar, querida.

Poupe-se, minha Margarida.

Palavras não são necessárias.", eu exclamo.

"Palavras não são o bastante para dizer o quanto te amo".


Ergo a cabeça e vejo o ser temido em minha frente.

"Quem és tu para causar este afronte?"

Olhando nos olhos sombrios, observo que não está a sorrir

Sei, então, que logo chegará a minha vez de partir.


- 🕯

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