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Quando a Velhice Chega a Nós II

Não era uma noite gélida, mas a lareira seguia acesa. Estava a pensar qual seria minha próxima história, precisava começar a escrever ou a editora me cobraria. Não sei se pelo frio ou pelo excesso de esforço mental, mas não consegui dar continuidade a minha novela anterior.  Foi quando a vi, linda e elegante como sempre esteve, descia as escadas sorrindo. Sorveu seu vinho, e se aproximou beijando minha testa. - Como está indo? - tocou meu ombro. - Não escrevi uma única página - suspirei sorrindo tristemente, tentando não perder as esperanças.  Ela acariciou minhas costas em um gesto de  reconforto ao meu fracasso. Faltava menos de duas semanas para a entrega do enredo, estava bravo e decepcionado comigo mesmo. - Uma música para inspirar, meu bem? - perguntou docemente, se sentando próxima a vitrola. - Como não se inspirar em sua bela voz?  Sorriu deixando a taça de lado. Já sabia qual disco ela pegaria. Era nossa música, amávamos passar o tempo dançando tal canção. ...

Quando a Velhice Chega a Nós I

Cruzo meus dedos frente a face e tento organizar meus pensamentos. Não consigo. Recorro a música que teus lábios me proporcionam e a persigo. Consigo sentir a emoção que vem de tua melodia, Que adentrando meus ouvidos, eclodia. E com essa canção, vou escrevendo à mão O que sinto de teu timbre com tamanha devoção. Tu me observas tímida e sorrindo, Para então se voltar séria com tal sonido. Não sabia de onde havia vindo Tal barulho, que indubitavelmente, não era bem-vindo. A taça, que antes cintilante, não está mais em sua mão. Olhando ao redor, a vejo ao cacos, no chão. O som que ouvi outrora certamente não vinha de ti. O sorriso que antes possuía meus lábios, diminuí. Oh, Deus! Por que paraste o canto dos anjos de forma tão abrupta? A canção que outrora era ininterrupta! E de repente te vejo apoiando em meus braços. Terror, medo e dor é o que vejo em teus traços. Oh, Deus! Por que apagaste o rouxinol mais belo de meu jardim? Por qual razão permitiste seu fim? "Não tente falar, que...

Demônios

Trevas. Era isso que via naquela feição suja e sombria. Não acreditava que poderia ele, alguma vez em sua existência, se deparar com uma criatura tão disforme como aquela. Tinha noção que muitos odiavam e se afastavam dela, mas não sabia que seria uma vítima de si mesmo.  Nunca tinha se encontrado com ela, apenas havia sabido de sua odiosa entidade e, até então, não sabia o que fazer. Não sabia se deveria se afastar da criatura ou apenas fechar os olhos e encobrir a realidade que lhe afligia e torturava a alma. Sentia raiva. Conseguia sentir a amargura em seu paladar apenas por ver... aquilo.  Considerava ter que correr e fugir, mas sabia que não podia, então o que fazer? Compreendia que havia de enfrentar aquele demônio que via frente ao vidro plano de moldura trabalhada pelo mais puro ouro. Entendendo que não havia sucesso escapatório, apenas vestiu sua capa. E a criatura? Que criatura? -  🕯

Os Olhos

 Você já observou as pessoas ao seu redor? Não só isso mas perceber que, apesar de serem diferentes, elas são todas iguais. Não estou falando de roupas, cabelo, etc... Falo sobre os olhares. Esses olhares estão sempre carregados de uma certa melancolia. Esta, que me familiarizo bem, mais que bem, somos íntimos. A melancolia, e eu...  Será que é por isso que reconheço a melancolia nos olhos de outrem? Não me olho tanto no espelho, mas como sei o que é esse tipo de olhar? Não posso ser a única pessoa a notar isso, posso?   Para alguns ela é ruim, para outros, refúgio. Nunca se sabe como ela surge, você a percebe somente quando aperta o peito, não vem com aviso, apenas aparece. Mas como se nota um sentimento tão excruciante como esse nos olhos de outro alguém? Como é possível esse ser um sentimento tão ocorrente? Acho que falamos muito sobre, mas não pensamos que os olhos podem, de fato, ser as janelas da alma. Creio que é Lidi Rubira quem diz acerca de os olhos serem u...

A Ruína Dos Teus Braços

E ali, nos teus braços, me vi gélido e imóvel Eu sabia que estava deplorável E sob um campo de jasmim Teus olhos desaguaram sobre mim E ali, nos teus braços, sorrindo em consolidação Você sabia que era minha inspiração Dos teus braços sempre fui cativo E ali, por um momento, quase pensei estar vivo -  🕯